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Alagoas é sétimo estado do nordeste em número de casamentos homoafetivos

De acordo com o IBGE, estado oficializou 18 uniões entre pessoas do mesmo sexo e ficou na 17ª colocação do país
Casamento homoafetivo foi realizado em dezembro passado no Teatro Deodoro pelo projeto Justiça Itinerante do TJ (Foto: Adailson Calheiros / Arquivo)Casamento homoafetivo foi realizado em dezembro passado no Teatro Deodoro pelo projeto Justiça Itinerante do TJ (Foto: Adailson Calheiros / Arquivo)
Dados da pesquisa Registro Civil de 2014 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que Alagoas entre os estados que menos oficializaram casamentos homoafetivos no Brasil, com 18 apenas, sendo 15 entre pessoas do sexo feminino, e três do sexo masculino. O Estado apareceu na sétima posição quando comparado aos demais estados do Nordeste, seguido do Piauí com 14 e de Sergipe com oito. Alagoas ficou na 17ª colocação entre os estados da federação no ranking do levantamento.
A pesquisa mostrou ainda que a região Nordeste realizou 661 uniões civis homoafetivas. Quem largou disparado neste ranking do Nordeste foi Pernambuco com 177 casamentos, sendo 121 entre homens e 56 entre mulheres; seguido do Ceará com 162, a Bahia, com um total de 134 uniões; depois o Maranhão, com 70; Rio Grande do Norte, com 47; Paraíba, com 31.
No país, o recorde ficou com São Paulo totalizando 2.050 uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, na maioria entre cônjuges femininos, seguido do Rio de Janeiro com 501 também a maior parte entre mulheres.
De acordo com o Grupo Gay de Alagoas (GGAL), esse número tem crescido no Estado. Só o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), através do programa Justiça Itinerante, oficializou mais de 20 uniões civis entre pessoas do mesmo sexo em dezembro do ano passado.
Nildo Correia, presidente do GGAL, diz que o número é considerado um avanço importante, porém lembra que Alagoas ainda é um dos estados mais homofóbicos do Brasil, e que o machismo acaba influenciando na cultura heterossexista, religiosa, entre outros. “Infelizmente o medo, a vergonha e até a falta de informação contribuem para o não aumento dessas uniões no Estado”, frisou.
Indagado sobre a maioria dos cônjuges serem do sexo feminino, Nildo pressupõe que o sonho da união ainda é mais forte para este público.
O casal Nilton Alves, de 33 anos, e Jeferson Ferreira, de 22 anos, oficializou a união estável e está muito feliz com a conquista. Eles que já estavam juntos há cinco anos disseram que não tinham casado ainda pela falta de informação. “Achávamos que existia um tabu grande sobre o casamento homoafetivo, mas estávamos juntos. Quando soubemos da possibilidade não perdemos tempo e selamos nosso compromisso”, disse.
Nilton frisou que embora o preconceito ainda seja uma das principais barreiras para a convivência de um casal gay, contou que nunca teve problemas com a família e amigos. “Muito pelo contrário, sempre nos apoiaram, infelizmente o Brasil é um país democrático, mas esbarra no preconceito, a sociedade critica e julga, porém não acolhe e nem procura saber se o casal gay está feliz e bem”, salientou.
Ambos autônomos comemoram a vitória e dizem que, agora que moram em casa própria, Jeferson pensa em adotar uma criança, mas Nilton discorda e acredita que o assunto por enquanto deve ficar adormecido por conta da complicação por serem um casal gay.
Primeira cerimônia gay coletiva oficializa mais de 20 uniões
O primeiro casamento homoafetivo gay de Alagoas aconteceu em dezembro do ano passado, no Teatro Deodoro, pelo projeto Justiça Itinerante do TJ/AL. Na ocasião, foi oficializada a cerimônia estável de pelo menos 23 casais do mesmo sexo. Foi a primeira etapa do ordenamento jurídico e, caso, algum casal homoafetivo tenha o pedido negado por algum cartório no Estado, deve de imediato formalizar a denúncia por meio da Corregedoria de Justiça de Alagoas.
De acordo com o coordenador do projeto Justiça Itinerante, André Gêda, a realização de casamentos homoafetivos é muito importante para a disseminação da igualdade na sociedade. “Devemos preservar a igualdade entre todos. Qualquer ser humano tem o direito de formar sua família, independente da sua orientação sexual, o afeto e o carinho são os mesmos”, afirmou.
Para o magistrado, o número não é considerado tímido porque, segundo ele, sempre aparecem casos de pessoas do mesmo sexo querendo oficializar a união estável. Ele avisou que inclusive já foi requerido pelo GGAL uma nova etapa para casamentos homoafetivos que acontece ainda este ano, no entanto a data ainda não foi divulgada.
O Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece desde 2011 a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, conferindo a esses casais os mesmos direitos e deveres estendidos aos companheiros nas uniões heterossexuais estabelecidos pelo Código Civil, como inclusão em plano de saúde e seguro de vida, pensão alimentícia, divisão de bens, entre outros.
Ana Paula Omena / Tribuna Independente
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