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'Povo não aguenta mais que políticos flertem com a corrupção'

Procurador da República lembra que escândalos sempre envolvem agentes públicos e políticos


A força-tarefa da Operação Lava Jato, composta por procuradores da República, delegados da PF (Polícia Federal), agentes da Receita e outros funcionários desses órgãos públicos, fez um dos discursos mais duros contra a corrupção que impera no Brasil, nesta segunda-feira (4), quando detalhou a 31ª fase da investigação, chamada de Abismo.
O procurador da República Roberson Henrique Pozzobon destacou a ligação entre as fraudes envolvendo agentes públicos com agentes políticos — praxe nos esquemas descobertos pela força-tarefa da Lava Jato nos desvios da Petrobras.
— Verificamos em todas essas operações o destinatário final eram agentes políticos, que estão no topo da cadeia alimentar das propinas. Os agentes políticos aparecem no final da cadeia, que nos leva ao seguinte: o povo brasileiro não aguenta mais que agentes públicos flertem, namorem ou casem com a corrupção.
Pozzobon relembrou que, nas últimas duas semanas, quatro operações da PF tiveram relação direta com ação de hoje da Lava Jato — Turbulência, iniciada em Pernambuco; Custo Brasil, em São Paulo; Saqueador, no Rio de Janeiro; Tabela Periódica, em Goiás.
— A corrupção está alastrada em nosso País e não há como combater o crime organizado de forma desorganizada. Precisamos que o Ministério Público, a polícia, a Receita, outros órgãos, a sociedade... formem uma grande rede de combate à corrupção.
O procurador da República aproveitou a ocasião para disparar contra a tentativa de políticos criarem mecanismos que limitem — a extinção — dos acordos de delação premiada e de leniência (quando empresa aceita dar detalhes de crimes em troca de penas mais leves).
Pozzobon disse que "fica muito claro a partir dessas cinco operações deflagradas no Brasil todo o grande potencial de desarticulação de grandes organizações criminosas por meio de acordos de colaboração e acordos de leniência".
— Nós precisamos estar atentos para as críticas que se fazem a esses acordos de delação e leniência. Serão elas razoáveis? Qual é o pano de fundo dessas críticas? O que nós vemos hoje e o que devemos nos perguntar é a quem interessa o desmonte do instituto do acordo de colaboração e do acordo de leniência? A quem investiga ou a quem por meio desses acordos é investigado?
O procurador encerrou sua fala dizendo que "o Ministério Público age de forma articulada para pegar todos os peixes da corrupção, não importa o seu tamanho".
A 31ª fase da Lava Jato indicou o desvio de R$ 39 milhões de um contrato de R$ 850 milhões (que superou R$ 1 bilhão) para a reforma do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) no Rio de Janeiro.
O dinheiro foi usado para tirar uma empresa da licitação (R$ 18 milhões), para pagar propina ao PT e a funcionários públicos da Petrobras (R$ 17 milhões), ao ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira (R$ 1 milhão), entre outros.
R7
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