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Liderança dos Xukuru-Kariri é assassinada com golpes de arma branca

Testemunhas relataram que vítima foi chamada por homens à porta de sua residência
FOTO: RAFAEL MAYNART
João Natalício dos Santos Xukuru-Kariri, histórica liderança dos povos indígenas do Nordeste, foi assassinado a facadas na madrugada desta terça-feira, 11, na porta da casa onde vivia, na aldeia Fazenda Canto, Terra Indígena Xukuru-Kariri, a 7 km da cidade de Palmeira dos Índios, Alagoas. Seu João, como era chamado, participou ontem da abertura do II Seminário Pedagógico: A Caminhada dos Guerreiros e Guerreiras Xukuru-Kariri, que trouxe a memória de Maninha Xukuru-Kariri, morta há dez anos. O caso será investigado pela Polícia Federal (PF). 
De acordo com o chefe da Coordenação Técnica Local (CTL) da Fundação Nacional do Índio (Funai), Cristóvão Marques da Silva, presente na aldeia Fazenda Canto, até o final da manhã o corpo ainda estava no local no aguardo da perícia da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML). "Eu estive na delegacia para agilizar os procedimentos e ao que parece, além das facadas, João foi atingido também por disparos de arma de fogo", explica Silva. 
Testemunhas relataram que, por volta das 4 horas da madrugada, enquanto Seu João se preparava para ir ao roçado que mantinha, dois indivíduos não identificados o chamaram. O indígena saiu da casa para ver quem era. Após uma conversa, o Xukuru Kariri foi morto com golpes de faca, seguindo também comos disparos de arma de fogo.
"A região tem um histórico de violência por conta da luta pela terra. Seu João era uma liderança antiga do povo", afirma uma liderança Xukuru-Kariri que teve o nome preservado  por razões de segurança.  Integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) estiveram ontem com Seu João, na abertura do Seminário com a tradicional procissão do povo com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. 
"É uma situação muito triste. Ele estava feliz e falando da luta do povo pela terra, relembrando com muita felicidade de Maninha Xukuru-Kariri", diz Francisco Bispo, padre e missionário do Cimi. 

Na abertura do II Seminário, Seu João fez uma fala emocionada sobre Maninha Xukuru-Kariri e dançou o Toré. Participou da procissão e de toda a programação do dia. "Cancelamos o II Seminário, que deveria acabar só amanhã. Estamos todos assustados e tristes. Não sabemos quem foram os autores desse crime. Seu João não era envolvido com nada de errado, mas alguém já antigo e respeitado pelo povo", diz um Xukuru-Kariri.  
Fonte: Por Gazetaweb, com Assessoria 
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