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Abi Axé Egbé: grupo de cultura negra como patrimônio da Ufal

Gestão reconhece importância do grupo e lança proposta para transformar em equipamento cultural

A reitora Valéria Correia com o grupo Abi Axé Egbé e a comunidade do Campus do Sertão
É do sertão de Alagoas que nasce a proposta do novo equipamento cultural da Ufal. Desde 2013 o Grupo de Cultura Negra Abí Axé Egbé, criado como projeto de extensão, divulga valores éticos e estéticos de origem afro. E foi na noite desta quarta-feira (15), em Delmiro Gouveia, que a Gestão fez o reconhecimento público pelo trabalho desenvolvido sob a coordenação do professor Gustavo Gomes. A Pró-reitoria de Extensão lançou a iniciativa de transformar o Abi Axé em equipamento ligado à Proex.
“Foi um momento de forte emoção a leitura do documento, que só veio coroar um trabalho de quase quatro anos que é uma referência cultural sem precedentes para a região. A plenária se comoveu e ovacionou a iniciativa, numa alegria e energia que fazia tempo que eu não presenciava em nossa universidade”, lembrou a pró-reitora Joelma Albuquerque.
A portaria interna da Proex será emitida oficialmente para que seja elaborado um regimento interno a ser submetido à apreciação do Consuni. A reitora Valéria Correia, que participou da atividade durante a programação de acolhimento em Delmiro Gouveia, ressaltou a conquista de ter o primeiro equipamento cultural do interior. “Será graças à inserção deste grupo na sociedade local, pelo trabalho exitoso que vem desenvolvendo. É o reconhecimento desse trabalho durante anos e a instauração do que vai ficar como referência do Campus do Sertão”, destacou.
A iniciativa teve a chancela do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros (Neab/Ufal) e considera “a relevância acadêmico-científica e extensionista de disseminação, troca e democratização da cultura, além da integração da comunidade universitária à sociedade alagoana promovida pelo Grupo” e ainda, “a contribuição para o desenvolvimento humano na direção da democracia, do respeito aos patrimônios, valores culturais, religiosos, antropológicos, políticos e do mundo do trabalho afro-alagoanos e afro-brasileiros”, destaca o documento proposto pela Proex.
O coordenador do grupo agradeceu o reconhecimento e lembrou os momentos de dificuldades, preconceitos, mas também de grandes vitórias pessoais e coletivas dos participantes, que passaram a se reconhecer como sujeitos se sua própria história.
“Isso aumenta nossa autoestima, confiabilidade no trabalho, resistência e a longevidade que esse trabalho toma a partir desse momento. A gente está muito feliz porque isso dá, ainda mais, legitimidade e garantia de que o trabalho que o grupo vem desenvolvendo continuar existindo nas escolas, nas comunidades quilombolas, nos terreiros de candomblé, nos grupos de capoeira, nas instituições de ensino superior, onde a gente passa pra divulgar o respeito à identidade negra, à diversidade, a luta contra o racismo, a intolerância religiosa, homofobia e contra todas as formas de preconceito”, falou emocionado o professor Gustavo Gomes.
Ações e pesquisas de valorização da cultura afro
Na proposta de lançar o mais novo equipamento cultural da Ufal, a pró-reitora de Extensão reitera o protagonismo dos integrantes do Abi Axé Egbé na elevação da humanidade, “ao construir espetáculos com base em uma estética humanizadora, de acesso livre à comunidade, cujo início e fim descendem de processos socioeducaionais através de ações de extensão como: cursos, palestras, oficinas, produção de figurino, pesquisas, elaboração de narrativas, estudo e discussão”, relata o documento.
Uma dessas ações é a apresentação de um espetáculo de dança que visa mostrar ao público um mundo negro belo e sensível que respeita a ancestralidade, que investe em causas políticas da população afro-brasileira, na luta contra o racismo e a intolerância.
O grupo tem a coordenação do professor de História do Campus do Sertão Gustavo Gomes e é composto por 40 integrantes entre alunos, professores e representantes da sociedade civil.  “Eles são pesquisadores e também artistas. É uma experiência bem ampla, bem leve e diversa de experimentar o que é a Universidade”, ressalta Gustavo.
A partir do projeto de extensão já foram produzidos cerca de dez Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) voltados para a cultura negra no sertão alagoano. Os alunos também são formados para lecionar e já ministram oficinas de dança e percussão estética.
Abí Axé Egbé é uma expressão do idioma africano Yorubá, significa “nasce a força da comunidade” e, agora, começa a deixar sua marca de pioneirismo na história do Campus do Sertão. 
Por Assessoria
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