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Delator narra acerto de propina paga a ex-governador Teotônio Vilela

Foto: Cada Minuto (Ex-governador de Alagoas Teotonio Vilela Filho)
Em depoimento a Lava Jato, um dos delatores da Odebrecht o executivo Alexandre Biselli, contou ao Ministério Público Federal (MPF) detalhes sobre uma reunião em que ocorreu o acerto de propina, destinada para gastos da campanha do então governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho (2007-2014 pelo PSDB). Na planilha de pagamentos da construtora, Téo Vilela foi identificado como “Bobão”.
Segundo Briselli, a reunião aconteceu em um hotel à beira- mar em 2014. Ele deu detalhes de todo o processo de pagamento da propina, que, segundo ele, se iniciou entre janeiro e fevereiro de 2014, pelo então secretário da Secretária de Infraestrutura (Seinfra) de Alagoas, Marco Antônio Fireman.
O executivo contou que nesta reunião, após uma conversa com Fireman, o próximo contato foi com um assessor do secretário, identificado como Fernando Nunes, que teria perguntado sobre um acerto datado da época de concorrência da obra do Canal do Sertão, em 2009. Um compromisso de 5% para a campanha do então governador Teotônio Vilela.
Na ocasião Briselli e era diretor de contrato das obras do canal do Sertão e João Pacífico, diretor Superintende do Nordeste e de algumas obras/estado do Centro-oeste. E ambos afirmaram não saber do que se tratava a questão levantada por Fernando Nunes. Dois meses depois, o escritório de João Pacífico recebeu uma ligação do governo de Alagoas, marcando a reunião no hotel Radisson.
Ainda segundo o executivo da construtora, ambos estranharam a reunião acontecer em um hotel e não no Palácio do Governo, e que ao se informar lhe foi dito que “era muito normal ele [o governador] ter vários despachos em hotéis”. O delator afirmou que, além dele, participaram da reunião, seu colega, João Pacífico, o então governador Teotônio Vilela, Marcos Fireman e Fernando Nunes.
Num dado momento da reunião, um assessor disse que Vilela precisava sair para atender outra pessoa em outra sala. Sem a presença do governador, Marco Antônio Fireman abordou João Pacífico dizendo que Briselli tinha retornado com um recado que não existia compromisso, e que eles estavam precisando muito de um dinheiro para a campanha.
Pacífico, ainda segundo o delator, teria dito que não tinha nenhum compromisso e que não podia dar nenhum dinheiro para obra. Foi então, que Fireman disse a João pacífico que seria melhor retirar a obra da Odebrecht.
Briselli declarou que o clima ficou desagradável e que quando Téo Vilela voltou, eles se despediram. O disse que na sua percepção, a saída havia sido combinada, que foi uma saída “teatral” apenas para que o assunto fosse abordado sem a presença do governador.
Dois meses depois, uma nova reunião foi marcada no mesmo local. Desta vez o irmão do governador, Elias Vilela estava presente e que após uma nova saída de Téo Vilela, foi dito que havia dívidas pendentes e que o governador precisava dos valores da Odebrecht para saná-las.
Segundo João Pacífico, a propina foi acertada após a conversa com Elias Vilela e o valor seria 2% do total da obra.  O executivo contou que foi convocado por Fernando Nunes na sede da Seinfra, onde ele pediu que a porcentagem de 2% fosse acrescida de 0,25%. João Pacífico autorizou o aumento.
Alexandre Briselli, afirmou que depois das tratativas, o empenho da obra ‘cresceu muito’ em 2014. De R$ 53 milhões em 2013, os empenhos foram para R$ 214 milhões em 2014.
O delator descreveu os pagamentos: R$ 1 milhão em 9 de junho de 2014; R$ 906 mil em 15 de setembro de 2014; R$ 238 mil em 13 de outubro de 2014; R$ 150 mil em 19 de novembro de 2014; R$ 350 mil em 20 de novembro de 2014; e, R$ 170 mil em 21 de novembro de 2014.
Os valores, segundo o delator, eram pagos sempre em espécie e que nunca houve nenhuma reclamação de não recebimento.
Ele identificou três apelidos: ‘Bobão’ (governador Teotônio Vilela: R$ 1 milhão, R$906 mil e R$ 150 mil), ‘Faisão’ (Fernando Nunes: R$ 238 mil e R$ 170 mil) e ‘Fantasma’ (Marco Fireman: R$ 350 mil).
Através de sua assessoria, o ex-governador Teotônio Vilela reafirmou que em sua vida pública nunca negociou favores ou autorizou que quer que seja a negociá-los em seu nome.
Leia a nota do ex-governador, na íntegra, abaixo:
“O ex-governador Teotônio Vilela Filho reafirma que em sua vida pública nunca negociou favores ou autorizou quem quer que seja a negociá-los em seu nome. Diz também que as doações para suas campanhas eleitorais sempre ocorreram de forma legal e todas declaradas à Justiça Eleitoral.”
Fonte: Cada Minuto
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